Como saber se estou bem perto de Deus? Íntimo dele o suficiente?
Ninguém jamais está longe de Deus, partindo do pressuposto de que Ele em todo lugar está. Ninguém jamais estará suficientemente íntimo de Deus, uma vez que tal intimidade traduz conhecimento pleno do outro – e de Deus conhecemos o que Ele permite, deseja e induz e isso é mais do que o suficiente para nós, mas não o suficiente acerca dEle.
Agora, uma resposta de fé e bem simples diria apenas o que eu costumo insistentemente encher os ouvidos dos meus compreensivos alunos: o melhor termômetro para se saber o quanto estamos íntimos de Deus e verdadeiramente envolvidos por sua presença, em nada tem a ver com o terno que usamos, o carro que temos, a casa própria onde moramos; muito menos tem a ver com a quantidade de pulos que damos, línguas estranhas que garantimos falar ou ainda arrepios que insistimos em dizer que são resultados diretos de Deus presente em nossas vidas. Gritos, arrepios e pulos também sentimos e fazemos nas arquibancadas do Maraca.
O que realmente serve para medir homens de homens e mulheres de mulheres é a capacidade de se amar mais ou menos que cada um possa ter. Ou seja, o quanto, de fato, amamos é que determinará realmente se há o sangue de cristo correndo pelas nossas veias.
Se ao andarmos pelas ruas e contemplarmos a total desordem, miséria e depreciação da vida existente, nada sentirmos, fato é que estamos muito distantes de Deus. Todavia, se dentro de nós manifestar-se aquele sentimento decepcionante de fraqueza, por podermos fazer tão pouco ou quase nada diante de tantas situações que nos constrangem e levam nossa religiosidade barata ao nível do ridículo, então poderemos ter a convicção de que nos aproximamos um pouco daquilo que Deus deseja que façamos: amar uns aos outros...
Só vitória naquele que nos amou primeiro e para todo o sempre!
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terça-feira, 10 de novembro de 2009
domingo, 5 de julho de 2009
Porque fazer o bem, faz bem
A frase inicial poderia tanto ser interrogativa como afirmativa. Na primeira hipótese, quereríamos saber o porquê de ser tão bom, mais ainda para aquele que o faz, do que para aquele que o recebe, o "fazer o bem"? Numa segunda alternativa, a mesma frase, sem a interrogação ao final, serve como a resposta para a primeira pergunta: Fazer o bem, faz bem, pelo simples fato de que o ato de realizar o bem ao outro, realiza o bem em nós.
O maior prazer do ser humano está diretamente relacionado à capacidade que ele tem de gerar prazer nos outros. Ou seja, está no SERVIÇO. É ele o maior bem de todos, chamado por alguns de solidariedade, entendido como compaixão por outros e traduzido da melhor forma possível pelo sentimento universal chamado de AMOR.
O prazer que sentimos na realização do serviço ao próximo é simplesmente indescritível, principalmente quando não há publicidade, quando nem nossa própria mão direita sabe o que a esquerda realizou, quando não noticiamos a visita que fizemos a doentes; quando ninguém sabe que deixamos de comprar algo para nós, porque fomos tocados de uma maneira tão intocável que fomos impelidos a ajudar. Tal prazer, estritamente divino e humano, transcendente e imanente, é que nos faz fazermos o que fazemos - é o famoso e imprescindível propósito de servir. É o amor.
O que faz com que nos emocionemos tanto, ao ponto de chorarmos, de nos arrepiarmos, de querermos ser melhores e diferentes quando assistimos a uma reportagem, ou quando vemos bem próximo de nós uma situação humilhante e deplorável; quando somos impactados pela realidade de Thiagos e Marcelos, tão diferentes dos Thiagos e Marcelos que conhecemos?
O incrivelmente sensacional e misterioso em toda essa corrente do bem, é que o mais beneficiado, abençoado, surpreendido e felizardo de toda essa empreitada, é justamente o "cara" que faz. Assim, quando acho que ajudo, faço o bem, auxilio e sou compassivo; a grande verdade é que sou eu o mais ajudado e o mais abençoado em toda essa história. Quando acho que mudo a história de Josés e Marias que moram nas ruas, mal sabem eles que é a minha própria história que está sendo mudada; radicalmente, para sempre, para melhor! Porque fazer o bem, faz bem!
Só vitória!
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segunda-feira, 20 de abril de 2009
Os três namorados da velha
Essa é mais uma dos transportes. Dessa vez porém, o que aconteceu comigo foi na van – o famoso transporte alternativo – neste último domingo. A personagem principal também não era nem homem e nem estava bêbada – era uma senhora, muito sóbria por sinal. A semelhança? Ela também se sentou ao meu lado e deu-se a falar.
Logo que entrou na van, chamou atenção de todos, falando alto, mas sem urrar, solicitando ajuda ao trocador para que a ajudasse com as sacolas de compras, pois já se tratava de uma velha, que ainda dava pro gasto – ela disse – e que tinha inclusive três namorados: um para o amor, outro para o sustento e mais um poeta, artista.
O amante profissional era, segundo ela, um estudante de educação física; forte e prestativo no que a interessava, sendo contudo um asno, que ela não se atrevia a levar a nenhum ambiente social – não por possível preconceito referente à diferença entre a idade de ambos – mas pelo risco de encontrá-lo se atrevendo a falar algo nas rodinhas de bate-papos que surgem em todas as festas. Era um verdadeiro fraco homem forte.
O outro namorado era o provedor – aquele típico homem da casa, que paga as contas – apesar dela fazer questão de destacar que ele dividia com ela – mas enfim, era o que a fazia bem, não por levá-la a uma alegria física ou por lhe contar piadas, mas pela tranquilidade e segurança que a passava, sendo aquele que sempre “chegava junto”, não lhe deixando faltar “nada”.
O terceiro e último namorado era o que podemos chamar de artista. Ela o chamava de poeta, compositor. Para ela, ele a via como sua musa inspiradora. E ainda que não existisse amor de contato, existia amor de alma. Seu nome estava sempre em suas melodias; seu rosto sempre em suas telas; sua essência sempre estampada nos acrósticos poéticos. Apesar de não ajudar a pagar a conta de nada, nem de lhe satisfazer algumas de suas necessidades físicas, ele a preenchia com doces palavras que a faziam se sentir amada.
Cheguei ao meu ponto e desci antes dela ter me dito o nome dos supostos três namorados. Ao que tudo indica, era uma ilusão bem humorada acerca da vida que ela possuía. Mas, o que nos chama atenção é justamente a dificuldade que muitas pessoas encontram de se sentirem amadas e de decidirem amar.
A grande maioria deseja muito as belas embalagens, ainda que o presente seja made in china – se a embalagem for bonita, se o embrulho tiver sido bem feito, se a capa for dura e ficar bonito na estante, compramos, queremos, aceitamos e desejamos o presente.
Outra grande maioria confunde enormemente a noção de segurança e respeito com a famosa frase “mas eu nunca te deixei faltar nada”, associando sempre este NADA, justamente ao dinheiro, como se esse fosse o TUDO. É como se eu oferecesse à minha esposa e filhos o TUDO que eu achasse de mais importante, para que eles pudessem reconhecer o esforço que eu possa ter diariamente, trabalhando para “lhes dar uma vida digna” (essa é outra frase campeã de audiência!). Todavia, o que eles queriam e precisavam de verdade, era menos 50 % dessa mesada de TUDO o que NADA representa e mais 25 % do NADA que eu tenho lhes dado: presença real, atenção e presteza.
Ah, fala a verdade: quem não gosta de ser paparicado, de ser agraciado com doces palavras que venham de encontro à necessidade universal do homem de se sentir amado? Assim que, na figura do último namorado desta figuraça que a vida me fez encontrar na van – logo eu, de novo! – temos a representação clara do amor utópico e platônico, que nos faz romper barreiras e vencer obstáculos. Do amor cantado por muitos, desenhado por outros, escrito por tantos. São possíveis amores impossíveis, que nos deixam tão embasbacados!
No meio de toda esta alegria exterior, que marcou meus 30 minutos de viagem naquela van, existia latente dentro daquela senhora, um desejo que existe em tantas outras milhões de pessoas, velhas ou novas – o desejo de se ter alguém para amar e ser amado. E mais ainda, o questionamento que muitos têm é porque o meu amante, que sempre foi meu poeta, hoje, no máximo e com muito esforço, apenas me ajuda no sustento?
A “velha” se foi, mas a lição que nos fica e que serve de moral para essa pequena história é só uma: se você tem ao seu lado alguém que continua te ajudando no sustento, mas que ainda te ama de verdade e se inspira com seus olhos, com suas palavras e com seus gestos, bem aventurado és tu!
Só vitória, nesse Cristo que verdadeiramente nos ama, sustenta e inspira!
Logo que entrou na van, chamou atenção de todos, falando alto, mas sem urrar, solicitando ajuda ao trocador para que a ajudasse com as sacolas de compras, pois já se tratava de uma velha, que ainda dava pro gasto – ela disse – e que tinha inclusive três namorados: um para o amor, outro para o sustento e mais um poeta, artista.
O amante profissional era, segundo ela, um estudante de educação física; forte e prestativo no que a interessava, sendo contudo um asno, que ela não se atrevia a levar a nenhum ambiente social – não por possível preconceito referente à diferença entre a idade de ambos – mas pelo risco de encontrá-lo se atrevendo a falar algo nas rodinhas de bate-papos que surgem em todas as festas. Era um verdadeiro fraco homem forte.
O outro namorado era o provedor – aquele típico homem da casa, que paga as contas – apesar dela fazer questão de destacar que ele dividia com ela – mas enfim, era o que a fazia bem, não por levá-la a uma alegria física ou por lhe contar piadas, mas pela tranquilidade e segurança que a passava, sendo aquele que sempre “chegava junto”, não lhe deixando faltar “nada”.
O terceiro e último namorado era o que podemos chamar de artista. Ela o chamava de poeta, compositor. Para ela, ele a via como sua musa inspiradora. E ainda que não existisse amor de contato, existia amor de alma. Seu nome estava sempre em suas melodias; seu rosto sempre em suas telas; sua essência sempre estampada nos acrósticos poéticos. Apesar de não ajudar a pagar a conta de nada, nem de lhe satisfazer algumas de suas necessidades físicas, ele a preenchia com doces palavras que a faziam se sentir amada.
Cheguei ao meu ponto e desci antes dela ter me dito o nome dos supostos três namorados. Ao que tudo indica, era uma ilusão bem humorada acerca da vida que ela possuía. Mas, o que nos chama atenção é justamente a dificuldade que muitas pessoas encontram de se sentirem amadas e de decidirem amar.
A grande maioria deseja muito as belas embalagens, ainda que o presente seja made in china – se a embalagem for bonita, se o embrulho tiver sido bem feito, se a capa for dura e ficar bonito na estante, compramos, queremos, aceitamos e desejamos o presente.
Outra grande maioria confunde enormemente a noção de segurança e respeito com a famosa frase “mas eu nunca te deixei faltar nada”, associando sempre este NADA, justamente ao dinheiro, como se esse fosse o TUDO. É como se eu oferecesse à minha esposa e filhos o TUDO que eu achasse de mais importante, para que eles pudessem reconhecer o esforço que eu possa ter diariamente, trabalhando para “lhes dar uma vida digna” (essa é outra frase campeã de audiência!). Todavia, o que eles queriam e precisavam de verdade, era menos 50 % dessa mesada de TUDO o que NADA representa e mais 25 % do NADA que eu tenho lhes dado: presença real, atenção e presteza.
Ah, fala a verdade: quem não gosta de ser paparicado, de ser agraciado com doces palavras que venham de encontro à necessidade universal do homem de se sentir amado? Assim que, na figura do último namorado desta figuraça que a vida me fez encontrar na van – logo eu, de novo! – temos a representação clara do amor utópico e platônico, que nos faz romper barreiras e vencer obstáculos. Do amor cantado por muitos, desenhado por outros, escrito por tantos. São possíveis amores impossíveis, que nos deixam tão embasbacados!
No meio de toda esta alegria exterior, que marcou meus 30 minutos de viagem naquela van, existia latente dentro daquela senhora, um desejo que existe em tantas outras milhões de pessoas, velhas ou novas – o desejo de se ter alguém para amar e ser amado. E mais ainda, o questionamento que muitos têm é porque o meu amante, que sempre foi meu poeta, hoje, no máximo e com muito esforço, apenas me ajuda no sustento?
A “velha” se foi, mas a lição que nos fica e que serve de moral para essa pequena história é só uma: se você tem ao seu lado alguém que continua te ajudando no sustento, mas que ainda te ama de verdade e se inspira com seus olhos, com suas palavras e com seus gestos, bem aventurado és tu!
Só vitória, nesse Cristo que verdadeiramente nos ama, sustenta e inspira!
domingo, 12 de abril de 2009
Porque gostamos tanto de estar juntos?
Excetuando todos os significados históricos, etimológicos, filosóficos e muito mais que discorrem sobre a páscoa, quero apenas falar, de forma sucinta, sobre algo que sobrepuja a todas essas conceituações enciclopédicas – o sentimento que nos faz gostar tanto de comemorar e principalmente comungar com aqueles que tanto amamos.
Para isso, quero apenas me utilizar do texto esquecido de Lucas sobre a páscoa; consequentemente reinterpretado para a celebração do que viria a ser a Ceia. Será ele o único a relatar a possível fala de Cristo quando o Mestre, ao estar com os seus discípulos mais chegados – os doze – diz do fundo da alma: “Desejei muito (ansiosamente) comer convosco esta páscoa, antes do meu sofrimento” (Lc 22,15).
O interessante mesmo, além do fato dessa fala ser apenas encontrada no texto Lucano, é que Cristo está se pronunciando como um homem normal e o fazendo sobre coisas normais, porém da alma. Ele não está preocupado com o tipo, a qualidade ou a quantidade do pão ou do vinho. Muito menos acordou naquele dia com a intenção premeditada de institucionalizar a mundialmente conhecida Ceia. A fala de Jesus é simples: eu desejei ardentemente participar desta comunhão com vocês – ou seja – estar junto de vocês; poder olhá-los pela última vez; poder senti-los, tocá-los; rir um pouco com vocês sobre as coisas aparentemente banais da vida; comer e beber e fazer tudo isso agradecendo ao Pai por tal oportunidade.
Apesar de nós, ocidentais, não termos muito este sentimento de tanta reverência e preocupação com quem colocar à mesa nas refeições; fato é que os Judeus tinham e o tem até hoje. E de que isso nos importa? No fato de que, mesmo sendo Cristo judeu e os seus discípulos que ali estavam também, ele se permite, ainda que num momento tão sagrado – a refeição – participar com aqueles homens incrédulos, duvidosos, e tendo ainda o traidor entre eles. Pelo simples fato que ultrapassava a tudo isso – ele os amava assim mesmo – e isso, para ele, era mais do que suficiente.
É justamente esse sentimento mais importante – o desejo de se estar junto de quem tanto ama – que supera os pequenos detalhes periféricos, tais como o fato de (às vezes) não se ter o melhor pão ou melhor vinho; de não ter o bacalhau ou o salmão; de não se ter o ovo de páscoa número 20 ou a caixa de bombom de 400 gramas. Isso tudo é periférico, adjacente, inexpressivo. O valioso é ter algum alguém para se estar perto, amar, olhar nos olhos, sorrir e se divertir – sempre dando graças a Deus por tudo isso. Se possuirmos a quem amar, de que nos importará o resto?
Ah, e porque gostamos tanto de estar juntos? Pelos simples fato de que somos todos seres completamente interdependentes e assim, totalmente carentes de proximidade e relacionamento. O resto, é só resto.
Só vitória, no Cristo que tem nos dado o maior dos exemplos – o de valorizar mais o amar do que o possuir... Boa páscoa para todos nós!
quinta-feira, 9 de abril de 2009
O importante mesmo é parar e amar!
Vivemos num mundo de internet – isso é um fato – e sendo assim um mundo mais rápido, mais dinâmico, mais digital e por isso, menos sensível, menos interdependente. Somos levados a confundir interatividade com inter-relacionamento; porém, enquanto aquela busca promover o feed back do ser à máquina, esta última se preocupa em estabelecer relações entre os seres, através dos próprios seres, sem nenhum artefato ou intermediário.
Na correria forçada dessa globalização contemporânea, paramos as vezes por força das circunstâncias, seja num engarrafamento, num acidente, numa doença, numa morte; enfim, na verdade não paramos e sim, somos parados. Não nos damos oportunidade de sentir e sim, sem querer, por descaso da nossa atenção exacerbada no instante, nos “pegamos” prestando atenção naquilo que sempre deveríamos ter observado – o próximo.
O próximo pode “ser eu”, pode ser você, pode ser da sua família, professar sua religião e crença ou não; pode ser tão espiritual ou extremamente herege, pode ser muito recatado ou completamente desavergonhado; pode ser velho ou criança, pode ser quem você nem vê, ou quem vê você sem você saber. O que importa mesmo não é saber quem é o próximo, mas enxergá-lo como próximo. A larga distância entre o “totalmente outro” para o “bem próximo” aumenta a cada dia por causa da nossa insistência no EU.
Numa época poderosamenete milagrosa para o comércio – afinal, até coelhos botam ovos nestes dias – e de total corre-corre desenfreado pela caixa de bombom mais em conta, saborosa e que possa ser parcelada, se possível fosse, até a páscoa do ano que vem – é interessante refletirmos sobre o amigo que parou (mesmo em meio a correria do dia a dia) e amou a um desconhecido, porque já tinha amado antes de parar. Estamos falando do famoso e tão raro bom samaritano, usado como exemplo de misericórdia e compaixão por todos os círculos espirituais desse mundo.
O simples ato de parar está bem distante de nós, justamente porque afirmamos não termos tempo. Nos deparamos no meio da rua, com um conhecido que há muito tempo não víamos e impulsivamente perguntamos (para nos arrependermos logo em seguida) se está tudo bem, rezando enlouquecidamente para que o ‘coitado’ responda que sim. Afinal de contas, se ele tiver a ‘audácia’ de querer nos contar algum problema, já estaremos a umas 300 passadas a frente, logicamente com pressa.
Será que o ferido no meio da estrada da vida, seria atendido por nós hoje em dia? Talvez sim, talvez não. Mas fato é que dificilmente o seria pelos espirituais de plantão ou pelos ministros religiosos de hoje – com agendas tão lotadas, que cada vez mais se perdem no propósito do chamado que ousam afirmar possuir.
Não há pessimismo demasiado em minhas palavras, há realidade e exatidão. A história se repete e os personagens só têm nomes diferentes. Mas os profetas continuam a profetizar paz onde não há paz; os pastores só continuam se alimentando da máquina que enriquece alguns de bens sem bem e fazem outros não terem nada – mas possuírem o que interessa.
Quero terminar por aqui, pois o intuito desse recado é destacar a parada do amor. Assim, para não nos perdermos, deixamos para outro momento os comentários sobre temas como “o pão e circo pentecostal”; “nepotismo evangélico”; “pastores sem pastor”; “dízimo como arrêgo” etc e tal. Por agora, permanece o maior de todos: o amor.
Beije sua esposa, sua noiva, sua namorada! Abrace como se fosse a primeira e a última vez a seus filhos. Enfim, pare para amar e ame parado (com bastante calma).
Só vitória nEle, que como já dizia o sábio, nos orientou a gozar a vida com a mulher que amamos e a comer e beber do fruto do nosso trabalho – porque isso faz parte dessa vida debaixo do sol (Ec 5,18 / 9,9).
Na correria forçada dessa globalização contemporânea, paramos as vezes por força das circunstâncias, seja num engarrafamento, num acidente, numa doença, numa morte; enfim, na verdade não paramos e sim, somos parados. Não nos damos oportunidade de sentir e sim, sem querer, por descaso da nossa atenção exacerbada no instante, nos “pegamos” prestando atenção naquilo que sempre deveríamos ter observado – o próximo.
O próximo pode “ser eu”, pode ser você, pode ser da sua família, professar sua religião e crença ou não; pode ser tão espiritual ou extremamente herege, pode ser muito recatado ou completamente desavergonhado; pode ser velho ou criança, pode ser quem você nem vê, ou quem vê você sem você saber. O que importa mesmo não é saber quem é o próximo, mas enxergá-lo como próximo. A larga distância entre o “totalmente outro” para o “bem próximo” aumenta a cada dia por causa da nossa insistência no EU.
Numa época poderosamenete milagrosa para o comércio – afinal, até coelhos botam ovos nestes dias – e de total corre-corre desenfreado pela caixa de bombom mais em conta, saborosa e que possa ser parcelada, se possível fosse, até a páscoa do ano que vem – é interessante refletirmos sobre o amigo que parou (mesmo em meio a correria do dia a dia) e amou a um desconhecido, porque já tinha amado antes de parar. Estamos falando do famoso e tão raro bom samaritano, usado como exemplo de misericórdia e compaixão por todos os círculos espirituais desse mundo.
O simples ato de parar está bem distante de nós, justamente porque afirmamos não termos tempo. Nos deparamos no meio da rua, com um conhecido que há muito tempo não víamos e impulsivamente perguntamos (para nos arrependermos logo em seguida) se está tudo bem, rezando enlouquecidamente para que o ‘coitado’ responda que sim. Afinal de contas, se ele tiver a ‘audácia’ de querer nos contar algum problema, já estaremos a umas 300 passadas a frente, logicamente com pressa.
Será que o ferido no meio da estrada da vida, seria atendido por nós hoje em dia? Talvez sim, talvez não. Mas fato é que dificilmente o seria pelos espirituais de plantão ou pelos ministros religiosos de hoje – com agendas tão lotadas, que cada vez mais se perdem no propósito do chamado que ousam afirmar possuir.
Não há pessimismo demasiado em minhas palavras, há realidade e exatidão. A história se repete e os personagens só têm nomes diferentes. Mas os profetas continuam a profetizar paz onde não há paz; os pastores só continuam se alimentando da máquina que enriquece alguns de bens sem bem e fazem outros não terem nada – mas possuírem o que interessa.
Quero terminar por aqui, pois o intuito desse recado é destacar a parada do amor. Assim, para não nos perdermos, deixamos para outro momento os comentários sobre temas como “o pão e circo pentecostal”; “nepotismo evangélico”; “pastores sem pastor”; “dízimo como arrêgo” etc e tal. Por agora, permanece o maior de todos: o amor.
Beije sua esposa, sua noiva, sua namorada! Abrace como se fosse a primeira e a última vez a seus filhos. Enfim, pare para amar e ame parado (com bastante calma).
Só vitória nEle, que como já dizia o sábio, nos orientou a gozar a vida com a mulher que amamos e a comer e beber do fruto do nosso trabalho – porque isso faz parte dessa vida debaixo do sol (Ec 5,18 / 9,9).
sábado, 4 de abril de 2009
O pecado nosso de cada dia
..
..Sei que muitos discordarão já do título desta postagem, argumentando teologicamente que não devemos nos apropriar indevidamente do termo pecado e que tal apropriação pode gerar problemas espirituais – afinal, há poder em nossas palavras blá blá blá blé blé blé...
..Enfim, fato é que mesmo não querendo (completamente, mas em parte sim!), hoje eu pequei mais uma vez e passei por aquele silêncio barulhento da alma, bem natural aos pecadores, provocado pela tristeza, vergonha e constrangimento – todos sentimentos internos, mas que se exteriorizam de tal forma que minha aparência camuflada de inocente se esvai.
..Me revolta muito não ficar revoltado com os pecados repetitivos que planejo cometer. São perversas e reincidentes atitudes premeditadas, falseadas pela DESculpa cheia de culpa forjada de que não queria fazer, mas fiz.
..Luto muito mais para ser sincero no arrependimento do que para me enganar beatificando. Minha alegria se restringe a saber que os pecadores arrependidos são os que sempre voltam para casa justificados (Lc 18, 13-14) e que isso muitas das vezes não provém de uma oração demorada, bonita ou com palavras especiais, mas sim porque decidiu Deus perdoar (Jo 8, 10-11).
..É esse perdão que perdoa porque ama e ama porque perdoa que nos faz levantar todos os dias e que me permite estar aqui, escrevendo sem nenhuma outra pretensão que não seja a de exaltá-Lo. Que estrondoso saber que Ele decidiu incondicionalmente me amar assim!
.
Só vitória!
..Sei que muitos discordarão já do título desta postagem, argumentando teologicamente que não devemos nos apropriar indevidamente do termo pecado e que tal apropriação pode gerar problemas espirituais – afinal, há poder em nossas palavras blá blá blá blé blé blé...
..Enfim, fato é que mesmo não querendo (completamente, mas em parte sim!), hoje eu pequei mais uma vez e passei por aquele silêncio barulhento da alma, bem natural aos pecadores, provocado pela tristeza, vergonha e constrangimento – todos sentimentos internos, mas que se exteriorizam de tal forma que minha aparência camuflada de inocente se esvai.
..Me revolta muito não ficar revoltado com os pecados repetitivos que planejo cometer. São perversas e reincidentes atitudes premeditadas, falseadas pela DESculpa cheia de culpa forjada de que não queria fazer, mas fiz.
..Luto muito mais para ser sincero no arrependimento do que para me enganar beatificando. Minha alegria se restringe a saber que os pecadores arrependidos são os que sempre voltam para casa justificados (Lc 18, 13-14) e que isso muitas das vezes não provém de uma oração demorada, bonita ou com palavras especiais, mas sim porque decidiu Deus perdoar (Jo 8, 10-11).
..É esse perdão que perdoa porque ama e ama porque perdoa que nos faz levantar todos os dias e que me permite estar aqui, escrevendo sem nenhuma outra pretensão que não seja a de exaltá-Lo. Que estrondoso saber que Ele decidiu incondicionalmente me amar assim!
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Só vitória!
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